domingo, 23 de outubro de 2011

Era trezentos olhos. Só um bastava.

Não sei. É lúdico. Esperava mais.
O momento da chegada coincidiu com o momento da partida.
Eu vi aqueles olhos atentos. Esperava que fossem.
Inevitavelmente, um suspiro abafado. Daqueles que se dão quando pede por uma migalha que se chama amor.
Mas o cristal quebrou. G a m e o v e r.
A estrada fala alto. Eu a escuto.
Nada mais tinha ali que alcançasse meus olhos, novamente.
Era uma tríade de satisfação que fora por esgoto abaixo.
Não havia mais nada... não sobrara mais nada. Nem restos... nem restos?
Então...
O dia clareou. A lua se fez sol. Me vesti de flores. O espelho voltou a refletir. Havia um mundo em minha volta. Criara-se a partir dali ou já existira? Como eu não pudera ver?
Como... como. Eu sei a resposta.
E guardei-a nas mais profundas dores.
Sou uma folha em renovação.




Ela esperava o mundo, mas ele voou para longe de seu alcance...

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Sentia mesmo que era mesmo diferente. Sentia que aquilo ali não era o seu lugar. Ele queria sair para ver o mar e as coisas que ele via na televisão (...) juntou dinheiro para poder viajar, de escolha própria, escolheu a solidão.

Feche a porta, do seu quarto, porque se toca o telefone, pode ser alguém. Com quem você quer falar? Por horas e horas e horas?

Não entendia como a vida funcionava.

A noite acabou, talvez tenhamos que fugir sem você. Mas não, não vá agora, quero honras e promessas, lembranças e histórias. Somos pássaros novos, longe dos ninhos.

Foi quando conheceu uma menina e de todos os seus pecados ele se arrependeu.
Maria Lúcia era uma menina linda.

Não faz meu estilo. Palavras são erros e os erros são seus. Não quero lembrar que eu erro também.

"Nunca brinque com um Peixes de ascendente Escorpião. É melhor o senhor sair da minha casa."
Mas antes de sair, com ódio no olhar, o velho disse:
"Você perdeu sua vida, meu irmão"
"Você perdeu a sua vida meu irmão"

E a saudade começou a apertar "Eu vou me embora, eu vou ver Maria Lúcia, já tá em tempo de a gente se casar". Chegando em casa então ele chorou
Sentindo o sangue na garganta, e se lembrou de quando era uma criança e de tudo o que vivera até ali. E pro inferno ele foi pela segunda vez.


Um dia quero tentar descobrir porque é mais forte, quem sabe mentir. Não quero lembrar que eu minto também.

Legião - Sexo Verbal e Faroeste Caboclo

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Olhando pelo caminho longíquo.
O que eu quero para mim?
Sei. O que está a algumas milhas átras e á frente.
Não quero ser um personagem redondo. Prazer. A volta.
Sim. Isso mesmo, daqueles que entram na história e em seu acabamento permanecem iguais.
Eu quero ter uma evolução. Evoluir de condição intelectual. Evoluir de espaço, de ser, alma, virtudes.

Mas eu quero tudo aquilo que está a frente do meu caminho. Prazer. A ida. 
Me enche de êxtase esse arzinho de cidade natal. Quero meus pais, quero minha família, minhas tardes, as luas cheias.
Adoro acordar e ter com o quê me preocupar de verdade. Não a brincadeirinha de querer ter feito serviços inacabados.
Simplesmente não troco por nada: o aconchego do meu lar, a comodidade quando junto aos meus pais, a paz benevolente que atinge a alma.
Adoro isso e mais um pouco.


Ás vezes tomamos as dores das pessoas.
Ás vezes, queremos ver as coisas de tal âmbito que espareça o ponto de vista do outro. (cadê o nosso?)
No entanto, esquecemos que temos olhos e que podemos muito bem tirarmos conclusões e brigar pelo nosso espaço.
É preciso ralar a cara no asfalto para saber o quanto dói. Ao contrário do que ter a visão mínima que alguém nos autoriza a saber.
Um outro entretanto: Mais fácil sermos cegos por opção do que optarmos por querer ver e arriscar a cometer erros.


Mas entre esse mero espaço de vir e voltar, é triste ver que estou sempre nesse meio.
Estou aqui, meus pensamentos acolá. O mesmo ocorre repetidas vezes e também ao contrário.


Um dia deixarei essas quatro rodas, ultrapassarei a fronteira e saberei onde querer chegar.
Por enquanto, um pouco mais de estrada e um pouco mais de paciência.
Alguém um dia constatou que a paciência é o sustento da alma. Exercitar-á-ei.