Estou rumo aos meus pensamentos mais ou menos sombrios.
Claro que sinto esvaecer todo o pingo de reserva de energia que guardo aos meus finais de dias.
É estranho pensar assim. É frio fingir não ver - uma cegueira proposital.
Tenho visto surgir em mim coisas que não me agrada. E sinto tanto por isso. Digo, sinto muito pela perda de uma velha regra arbitrária.
Complexos que deveriam estar guardados, isolados, de 1 em 100, de 1 em 1000, de um em raridade.
Daqui alguns dias, nem eu mesma vou tolerar a idéia do que eu sou - estou me transfomando no que há anos eu julgo.
Ao mesmo tempo, sou essa. Eu e os palavriados bacanas que venho colecionando.
Tenho certas atitudes que me fazem refletir, por acaso. Tenho lembranças que esboço sorrisos.
Um caso marcadamente peculiar - aquilo que se vê, aquilo que se atinge, ou aquilo que me ponho à prova?
Se consigo, reclamo para mim mesma. Se não consigo, choro pela derrota e não vejo o passarinho verde que está estampado na minha cara.
O caminho. Tortuoso. Retilíneo. Escuro. Pontos de luzes. Cactos. Rosas. Inverno. Verão.
Essas próprias bifurcações do caminho, se encontra em mim. Uma colisão para que tudo não volte a ser o que era. Um tempo perfeito. Digo, nada em sã consciência é perfeito.
Eu sou o detalhe que nunca faltou. A peça que nunca se encaixou. O feixe que desapareceu. O período que nunca voltou. Um objeto, intacto, que apesar de ter um lugar na estante, deixou de existir.
O pior juiz tenho em mim.
O pior julgamento está aqui.
