Indubitavelmente, não poderia esquecer da data. Data que calendário algum exibe a importância do personagem.
Digo personagem porque assim como se expressa a caracterização das coisas através de algo ou alguém, assim se faz uma caracterização a um individuo.
Parte disso se faz pela pessoa ser vista por aquilo que ela faz e o que se dedica a fazer e a descartar.
Mas posso ter uma concepção, pois posso me desenhar julgadora neste caso, já que as circunstâncias bifurcam em direções, nas quais, uma delas sou eu.
Opiniões diversas às minhas, por consequinte, surgirão. Aceito opiniões diversas, porém minha opinião permanece intacta... Não indiferente, apenas concreta.
A verdade é que papéis melhores não existem. A funcionalidade de pais que assumem, são inquestionáveis no meu caso.
Sinto raiva. Bato o pé. Brigo. Questiono. Isso é normal.
Apenas sinal de que não aceito as coisas com ceticismo natural.
A distância me faz ver, entretanto, o quanto sinto falta.
Sinto falta de tê-los perto de mim, de ser a divisória da cama, a falta de gritar com medo e após ouvir passos, omitir o fato e culpar pesadelos. Ganhar carona para escola. Discutir filosofia. Discutir religião. Necessito dos olhares ternos e culposos. Vontade de mostrar o boletim e precisar de uma palavra. Sinto falta do olhar fuzilante de ciúmes quando estou com meu namorado. Ou a puxação de saco. Equilibrio compornamental. Falta do cheiro de roupa limpa e passada.
Tanta falta essa, que às vezes sinto um abraço, mesmo por distância.
A imaginação é tão forte. O cérebro é tão perfeito. A simulação torna-se nítida. Eu sinto isso e projeto fora do meu subconsciente.
Arrepio de falar sobre tudo isso, porque essa falta é temporária. Agradeço muito pelo tempo ser contado de grão em grão. Se fosse falta permanente eu não saberia as minhas condições de validez. Prefiro nem pensar.
Por isso, agradeço por cada ruga de preocupação, cada conselho, cada faísca de amor, cada sentimento verossímil, cada...
Por acreditarem no meu potencial e saber mais de mim do que propriamente sei.
Ao pai maravilhoso e sábio. À mãe carinhosa e acolhedora.
Aos dias dos pais em via com os das mães.
A distância faz percebemos a validez de certas utopias.
Utopia essa que me manteve viva nos primeiros instantes de vida, e me mantém até hoje.