sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Porque não me reconheço mais? Essa caricatura de não sei o quê, de não sei onde, ou como.
Porque os traços, que antes jaziam no meu rosto ao olhar em um espelho, agora desapareceu?
E ao olhar as fotos de antigamente, parece que foi há tanto tempo, quase que incontável nos dedos das mãos e pés juntos.
Eu estou em constante metamorfose, percebo.
Em um dia, minhas ações, minha fisionomia, o timbre da minha voz, são e soa de uma maneira. E basta apenas um mês, dois meses, e quem sabe um dia, para que eu veja uma nítida diferente entre o eu passado, e o eu recente, recém reformado, recém mudado e sem a própria percepção da mudança que passou.
E pior, essa mudança parece ser constante. Cada vez uma coisa está mais diferente.
Será que eu não posso sentar e deixar de me preocupar, pois é óbvio que eu me preocupo. Eu não posso ter características definidas, sem esse vai e vem, vem e vai ou seja lá o que esteja acontecendo!
Como posso alegar que sou de certa forma, se ao mesmo tempo em que alego, ao mesmo tempo mudo?
Será que quando eu estiver velha eu vou conseguir destacar as diferenças do meu rosto jovial, com o rosto adquirido e marcado pelo tempo, contando cada parte das minhas histórias por meio das rugas e cicatrizes? E vou conseguir firmar meu sorriso da dentadura e lembrar do sorriso que antes dava, de orelha a orelha?
Será que vou me sentir velha, mesmo que realmente esteja velha? Será que vou ficar incomodada com as rugas e apelar para a plástica? Será que vou... Ou será...


E eu descubro: eu sou um camaleão.