Creio que foi ontem, ou se não foi ontem, dessa semana não passou.
Eu vi em uma reportagem do... creio também que foi Fantástico, ou seria Profissão Repórter? Certamente profissão repórter, mas se não for, não vai acabar o mundo por isso.
A matéria era a seguinte: "A vida de um garoto de programa"
Eu mesmo vacilei e pensei "Como que alguém pode fazer isso?" Mas isso é estúpido, cruel, infantil e idiota. Não o ato de ser garoto de programa, mas o preconceito que tive naquele momento. E me senti perversa, e não pude fazer outra coisa senão me alertar quanto à atrocidade que eu estava cometendo, julgando precipitadamente, sem portanto, viver aquilo.
E creio que não foi só, e apenas, eu.
Acho que poucos pensaram no assunto antes de criticar, de condenar, de jogar na fogueira e levar mais outra alma embora.
E a clareza da resposta está no capitalismo. Alguns tantos tem, outros nada tem. Outros o mínimo para sobreviver enquanto outros o máximo e cada vez maximiza sem pensar no que menos tem. Não é fato, é realidade.
O que leva à eles fazerem isso? Não é o amor pelo sexo, embora alguns tenham e trabalham nisso por isso. Mas é a falta de condições, seja lá para estudar, para sustentar família, mas serventia tem, é claro.
E pode ser até que goste dessa profissão arriscada, se é que alguns põem a classificação de profissão, mas é quase visível que não é por opção, e sim pela falta de opção.
Depois de muito pensar, eu percebi.
Minha mente é tão doentia quanto de muitas pessoas, se arrisca a julgar sem ter noção da barbaridade desse julgamento, se permite a ter preconceito, enquanto eu mesma odeio preconceitos.
Não há escapatória. Doentes não são os que se arriscam, os que tentam, mesmo por meios condenáveis pela sociedade, um meio de trabalho. Doentes são os que julgam ser ter consciência pelo que o outro está passando.