quinta-feira, 23 de junho de 2011

Queria saber tanto do mundo o quanto sei da saudade.
Se me torcessem, o que mais sairia seriam lágrimas.
Lágrimas de verdade. 
Estou em fase de um colapso frágil, em que o que eu queria não seria ter essa impressão vaga de memórias, mas abraçá-las, senti-las lado a lado, defini-las na ponta da língua e poder sentir a textura, o sabor, a cor, a veracidade dos meus sentidos afugentando-as em mim.
Em vez de guardá-las, carregaria para todos os lugares em que passo e não hesitaria em voltá-las ao lugar. 
Pois bem: a dificuldade me prende.
Não é possível! - alerta minha consciência que se atreveu a devanear.
Portanto o possível é tão caro que o enfrento cara-a-cara chamando de nomes tão absurdos quanto minha consciência Freudiana.

Eu quero o calor que eu sentia nas bochechas. Quero me ver evasiva, e ao mesmo tempo, exalando sentimentos que outrora esteve tão presentes. Ou contentaria com apenas um abraço carinhoso de alguém tão querido perdido à distância. O hálito de eucalipto, o crepitar das árvores, as buzinas dos carros, o olhar amigo, a face serena.
Embora, o hálito de eucalipto se perdera, as árvores estão estáticas, as buzinas dos carros aumentaram de tamanho, consideravelmente, modificando-se em tormento, o olhar amigo não é mais constância e a face serena se perdeu em algum meio metro.

E eu sinto novamente a saudade me dominar.
Convivo em parceria. Ambas em relações mútuas. Ela me ampara, e eu a torno possível existencialmente.
Mas as consequências, cá, apenas eu sofro. Acuso-a.
Haverá então o dia que a situação se inverterá e se repetirá. 
Não mais serei toda saudade. Bastará seu homicídio. A fênix retornará das cinzas e novamente serei o alvo das consequências. Voltaremos a estabelecer, então, relações mútuas. Eu fiel ao calendário e ela me induzindo a cumprir essa fidelidade.