Uma confissão:
Estou deixando a velha Alexandra, me tornando uma, em partes, diferenciada. Tirando todas as poeiras acumuladas, todos os livros velhos das prateleiras, jogando fora todas as roupas de mau uso, eliminando de vez a poeirinha debaixo do tapete, dos cantos do guarda roupa. Deixando o sofá velho, o sutiã gasto, o perfume vencido, tirando o carrasco da culpa, do medo, do pavor, me restabelendo, me reecriando, me unificando, me transformando. Talvez seja essa a regra. Mudar e apenas mudar, quando tudo não passa de uma carga velha de amontoadas e gastas poeiras. Restos. Sujeiras. Talvez também o que me faça tomar, por certo, esse rumo, seja o cansaço, mas pode muito bem ser a minha sede de uma nova ordem a estabelecer. Dizer que estou no comando desse lixo.
E eis que a questão vem me ensinar: suportar cada fagulha de desinteresse, passar reto aos desânimos, ser unânime à tudo menos ao amor.
Distrair-me a cada má resposta. Ouvir os mais velhos. Passar aos ouvidos às críticas deformistas.
Liberar a vontade de ajudar o próximo. Respirar fundo ao perceber a inveja alheia.
Não criticar o comportamento ou quaisquer coisa dos outros para futuramente não ser criticada.
Ignorar, ser indiferente aos falsos.
Ser feliz independente do quê ou como. Esquecer que o mundo é hipócrita e viver na minha.
Optar pela primeira pessoa em vez de terceiras. Não desmoronar à cada palavra mal formulada.
Deixar-me refazer, construir. Sem abalos, sem terremotos, sem paradas obrigatórias. Ser um pouco egoísta. Afinal, ninguém te quer inteiramente bem como você mesma.
Apenas mais algumas promessas e talvez resulte.
Afinal, o fácil não é prometer.
Pois bem. Eu inicio e sinto coragem a finalizar.