Eu posso afirmar, porque é claro que o tempo veio e me fez ver o que é bom para mim.
E, no entanto, afirmo:
O tempo me fez mais mulher, mais adulta, mais experiente e conquanto ainda guardo minhas memórias, e aquela saudade profunda. Penso que a saudade foi fruto de um passado bem aproveitado, me restando apenas o presente e o futuro a ser desfrutado.
O presente e o passado se misturam. Num passado recente, eu botava a mão no fogo por certas coisas, e essas mesmas coisas, logo, descubro, que não são tão confiáveis a ponto de me arriscar a queimar.
E também, logo, sentir-me-ei, que nesse passado, que agora é o meu presente, minhas idéias eram tolas, sem comprovações, e talvez minhas respostas que julgo um tanto convincentes, talvez seja, senão erros.
Portanto, idéias tolas, pensamentos infantis, mas exclusivamente meus. O que me faz um tanto feliz, por ter minhas idéias fixas,ou fatos restritos à apenas minha opinião. E por ser tão meu, não preciso que todos aceitem, e nem que discordem. São minhas opiniãos, tão somente minhas.
E esse presente que será passado, e bem futuramente, um passado distante, eu afirmo: Não sei de fato sobre tudo. Não sei de fato sobre os mistérios universais, e nem tanto posso sabê-lo. Mas sei que a cada dia que passa, apesar de ser um dia a menos na minha vida, um dia mais velha, sei também que é um dia a mais repleto de experiências, de convívio e genuinamente o futuro que antes eu tanto ambicionava.
E por ter sido futuro, e presente, o passado também está presente.
Ao lembrar, enfim, os dias que passaram, a saudade vem, e quase conto os minutos para que do futuro volte o passado e eu possa voltar também às minhas recordações, só que revivendo-as. Ao perceber que não posso, apesar de ser principal e unicamente dona da minha vida, eu sei que o ciclo do ser humano não é bem assim, como eu quero, e que o fato de querer não vai modificar nada, só por um capricho. O tempo não passa de frente para trás, e sim seu inverso, o que lamento, não lamentando, pois de fato, eu também quero viver o meu futuro, apesar de ser algo extremamente misterioso.
Mas receio. As coisas são mais fáceis quando você tem a certeza da sequencia dos fatos, e tem o comando sob controle. Não há como remediar o que está proposto no futuro.
Por isso acredito que a beleza está em viver. Porque eu vivia, vivo, e o destino que me diga se viverei. E vivo com base no meu passado, porque do futuro, só saberei quando houver uma mudança na ordem: do futuro, modificar-se em presente.
E não deixo de arrancar-me um suspiro:
"Aqueles foram anos dourados..."
Tenho certeza que um dia, lembrarei de hoje, e arrancarei o mesmo suspiro.