Não um sonho que se tem quando você é pequena e vive cheia de ilusões. Não um sonho que você alimenta para sobreviver a cada dia de passa. Um sonho, simples. Um sonho quando você vai dormir. Minha impressão: Eu não estava andando. A rua andava por mim. O outono chegava como uma estação quente, parecia verão. Tudo bem, nada fazia sentido. Mas em sonhos, há algo que faça sentido? De repente, o relógio. O relógio daquela torre oeste. Sim, ele girava sem parar. E eu olhava vidrada nele, como se esperava algo acontecer, como se já previra aquele momento antes. Mas de repente, aqueles números fizeram uma confusão, e do preto dos números, viraram preto de palavras e um livro aberto na mão e me deparei com uma história de Shakespeare. Eu não estava interessada em ler, mas eu lia. Sem prestar atenção, presa em meus pensamentos. Pensando em tudo que acontecia. Mas o que acontecia? Não sabia. Um verde iluminou, e eu prendi minha atenção naquele verde, e simplesmente aquilo invadiu meu sonho, de modo brutesco. Me vi sentada de braços apoiados no chão, com a grama fazendo cosquinhas na cintura. O céu azul, cintilava as águas de um rio próximo. Não bastou. Sorri, fechei os olhos. E uma música me invadiu completamente. Era tão real. Algo como Jack Johnson e eu simplesmente abri meus olhos de novo, e a claridade assumiu lugar sobre mim. Respirei fundo, foi só um sonho. Sonho estranho, mas nada mais do que um sonho. De volta ao meu mundo real.